Ecosapiência

Reflexões contemporâneas

Archive for janeiro 2010

Viciados em hidrelétricas

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Blackout, falta de luz, de energia. Discute-se muito a culpa do governo e as causas do sinistro. Linhas de transmissão, raios, tempestades bíblicas que teriam afetado a hidrelétrica de Itaipu, a segunda maior do mundo, responsável por 1/5 de toda a energia do país. Na escola, o professor Pedro dizia que se abríssemos as comportas de Itaipu todas juntas, poderíamos destruir Buenos Aires. Verdade ou não, o fato é que se eles jogarem uma bomba por lá, destroem Rio e São Paulo juntos, além de televisores, geladeiras, computadores e microondas de cidadãos pacíficos. Estamos quites. Tudo isso nos remete à hidrelétrica de Belo Monte. Para os que criticam a obra, tratem de reciclar o lixo, mudar os hábitos e pensar em outras alternativas.

Rio Xingu, onde o governo pretende construir a hidrelétrica de Belo Monte.

Hidrelétricas não são fontes de energia limpa, como o governo vem declarando. As barragens necessitam de grandes áreas para guardar água, e nessas áreas muitas vezes existem comunidades, animais, nascentes de água limpa, plantas, etc. E existem índios (sim caras-pálidas, índios são seres humanos também), como no caso de Belo Monte.

Índios Caiapó em audiência pública sobre a Usina de Belo Monte - Eles sabem a verdade?

Segundo os pesquisadores Junk e Nunes de Mello, a translocação das populações e enchimento da represa podem causar: 1) Perda de solo; 2) Perda de espécies de plantas e animais; 3) Perda de monumentos naturais e históricos; e 4) Perda de recursos madeireiros. Além disso, as mudanças na geometria hidráulica do rio pode causar: 1) Modificação na hidrologia (as flutuações nos níveis de água no rio abaixo da represa são modificados); 2) Modificações na carga sedimentar; 3) Mudanças florísticas e faunísticas abaixo a acima da represa; 4) Impactos na pesca e aqüicultura; e 5) Crescimento maciço de macrófitas aquáticas (isso pode trazer doenças, entupimento de canais, etc. As macrófitas são plantas). Pode-se ver que são inúmeros os impactos de uma hidrelétrica. Além disso, vem sendo discutido qual o papel de uma represa destas no balanço de CO2 na atmosfera.

Desta forma, os custos ambientais destas usinas são enormes, apesar de não serem uma fonte liberadora de gás carbônico direta. Mas esses custos são velados e nunca discutidos na agenda política. Pelo contrário, são um empecilho para o desenvolvimento do país, segundo nosso presidente (e sucessores) indiretamente diz por aí. Mas me parece que o grande empecilho mesmo é a falta de alternativas energéticas sustentáveis (não entra ai as usinas de carvão e diesel, mas sim a energia solar, eólica, das marés, etc…) em um país viciado em grandes hidrelétricas.

E vamos parar para pensar: O que é energia limpa para nós?


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Written by newtonulhoa

25 de janeiro de 2010 at 14:42

Publicado em Ecologia

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O planeta feminino

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Tenho refletido muito sobre a forma como escolhemos para colonizar este planeta fantástico que é a Terra. Eu gostaria de acreditar mais na humanidade, ser um  humanista pleno, convicto na força de transformação de nossa espécie. Nós, seres humanos, alinhamos o nosso bem estar a uma necessidade de empregos e crescimento do PIB (e.g.) – ao simples tirar. Não digo que isto não seja necessário. Pelo contrário, sou um entusiasta dos avanços sociais, políticos e científicos da humanidade.

O problema é que a natureza, a filosofia de amor ao planeta, à Gaia, como disse Lovelock, foi suprimida. A maior parte dos seres humanos nem imagina um contato maior com a natureza além de um gramadinho ou uma árvore da felicidade. A filosofia de amor ao planeta é matéria barata, de livrinhos de bolso e de filmes de Hollywood. Desta forma ficamos limitados a um pontinho no tempo. De espécie inteligente a espécie insignificante na história do planeta. A cada dia, a fertilidade do planeta se desintegra, acompanhada por uma crescente indiferença da humanidade (o “homem”, como dizem, uma espécie denominada masculina) pela feminilidade da Terra – de temperamento misterioso e ciclos imprevisíveis.

Written by newtonulhoa

25 de janeiro de 2010 at 12:48

Publicado em Ecologia

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