Ecosapiência

Reflexões contemporâneas

Archive for abril 2010

Bernard Buffet

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Bernard Buffet foi um pintor expressionista francês. Suas gravuras e pinturas são surpreendentes. Têm uma expressão fantástica e um quê de existêncialista. Vale a pena ver algumas:

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Written by newtonulhoa

28 de abril de 2010 at 16:30

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Auto-retrato II

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Devido às exatas circunstâncias
Sou cidadão indeciso
Discreto e liberal

A
nt
ifu
n
ci
o
n
al

À beira do caos
Decididamente fincado
Nesta pirâmide social
Segurando um saco
De perversão nas costas.

Written by newtonulhoa

27 de abril de 2010 at 23:35

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Jericoacoara

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Olá pessoal,

Andei sumido, andei divagando sob o vento equatorial do Ceará. Fomos para Jericoacoara tirar umas férias necessárias. Nestas ocasiões percebemos o tamanho do Brasil. Voamos por quase 5 horas para chegar em Fortaleza, saindo de Belo Horizonte. Muita chuva! E depois, mais cinco horas de ônibus até Jeri…

Fortaleza é uma grande cidade. Maior que Belo Horizonte (hoje a sexta maior do país). E como qualquer cidade grande, tem suas mazelas. Muita prostituição infantil e pobreza. A prostituição de crianças (meninos e meninas) aparentemente é uma coisa normal por lá, pelo menos na Beira-Mar, onde ficamos. Assistimos uma cena desagradável: Uma turista reclamando com um policial sobre a quantidade de meninas com aproximadamente 10, 11 anos, se prostituindo em frente à feira, no meio de centenas de turistas. O policial apenas pediu para que as crianças fossem para outro lugar. Pôxa seu guarda! São crianças… Algum tempo depois, quando já estávamos sentados em um bar, comendo, vimos dois estrangeiros, brancos, muito brancos, e loiros, passeando pela orla com duas meninas de mais ou menos 13 anos. Filhos da puta. Vêm pra cá por isso?

Estávamos loucos para partir para Jericoacoara. Dormimos e pegamos o ônibus. O caminho é lindo, com atividades pecuárias e pequenas plantações de milho e mandioca. E é demorado. São 5 ou 6 horas de estrada.

A primeira impressão que temos ao chegar em Jeri é a amplitude. É tudo muito grande, largo, fundo. Dunas enormes, em alguns lugares, campos enormes cheios de jegues selvagens e cabritos. A segunda impressão é de que você não está no brasil. Fala-se italiano e espanhol tanto quanto português. Dizem que a 20 anos atrás muitos italianos compraram grande parte da vila por uma micharia. Hoje são donos de tudo e os seus terrenos valem até 1000% mais.

Uma bicicleta no meio da praia.

Nota-se que não há uma organização efetiva da comunidade. Eu poderia dizer que as coisas estão ao “Deus dará”. O que notamos é que a população nativa tem um certo rancor dos estrangeiros, que por sua vez, não parecem muito dispostos a organizar o lugar. Afinal a idéia de um lugar sem lei deve atrair muitos estrangeiros. Dizem que até o crack já chegou por lá. A noite é animada, quase todos os dias ela vai até o amanhecer. E para isso muitos aditivos são vendidos por lá. Descaradamente.

A praia principal está contaminada. A maioria das pousadas e restaurantes jogam o rejeito ali mesmo na praia. Dizem que até mesmo o maior hotel de Jeri, de 4 ou 5 estrelas, joga lixo nas areias da praia. Eles que tinham de dar exemplo, não fazem nada.

Apesar de Jeri ser uma ilha dentro de um parque nacional (o parque nacional de Jericoacoara), não vi nenhuma presença do IBAMA. Nenhuma. Apenas algumas placas. Os bugueiros andam pra lá e pra cá em cima das dunas e nas praias e não recebem nem mesmo uma notificação. Ao lado da duna pôr-do-sol, vimos uma placa caída “área de pedestres”, derrubada pelos bugueiros, que derrubaram a cerca e tomaram conta da área de pedestres. Eles não têm nenhum trienamento, nenhuma consciência que devem preservar aquilo.

A pesca com redes em alto mar também causa estragos ao turismo. Muitas tartarugas morrem presas nas redes e eles jogam elas na praia. As arraias pescadas são limpas e as carcaças são jogadas na praia também. A praia principal de jeri é um cemitério de arraias e cocô de cavalo. Esses são outros animais que sofrem. Todos são desnutridos e machucados. Extremamente maltratados. Muitos são largados na vila e ficam andando como zumbis, comendo lixo.

Carcaça de arraia.

Tartaruga morta em redes de pesca em alto mar.

Mas não vou dizer que está tudo acabado. Jeri é maravilhoso. As dunas que pululam pela região são apaixonantes. O pôr do sol no mar é quase espiritual. A água quente do mar é uma delícia. E se come muito bem na vila. São dois os astros da cozinha: o Robalo e o Pargo. Seguidos, claro, da aristocracia dos camarões, polvos, etc. Sugiro três lugares para se comer em Jeri:

– Restaurante Pimenta verde. É o restaurante da Sônia, uma das primeiras cozinheiras da Vila. Mora ali a 20 anos. Ali comi o melhor arroz de polvo da minha vida. E ela ainda faz ceviches de robalo fantásticos.

– Restaurante Carcará. Comida farta. Sugiro caldeirada de frutos do mar. Uma delícia.

– O restaurante japonês. Não me lembro o nome. Mas não fica atrás de nenhum da cidade grande. Com a vantagem de servir sashimi de robalo fresquinho!

O pôr do sol de Jeri. Hipnotizante.

A caminhada do serrote é massa! Vai-se andando por um penhasco, vendo o mar lá de cima. E desde que virou parque alguns jegues se tornaram selvagens e vivem ali. Mas também existem vacas e cabritos. Estas tem dono. Muitas andam com sinos, coisas que eu não via desde os tempos de criança em Uberaba.

Uma das praias perdidas no meio da caminhada do serrote.

Andei de buggie. E o bugueiro ainda teve de ouvir a gente falar que não devia andar nos locais não permitidos, etc. Fomos a três lugares distintos. Primeiro a tatajuba, com as famosas redes dentro da água. É uma grande lagoa (segundo eles, de água da chuva). Mas desconfio que existam alguns córregos caindo ali. Não sei. O segundo lugar, no dia seguinte: a lagoa azul. Achei que estava no paraíso. Até chegar na própria lagoa do paraíso. Achamos tão bom que voltamos no dia seguinte. Lindo de morrer.

A lagoa do paraíso. O próprio.

O cardápio em Tatajuba.

As praias de Jeri são amplas. Uma linda amplitude. Com dunas ao fundo. As dunas são saarianas. Em sua devida proporção, claro. Eu até me aventurei descendo de prancha por uma delas. No dia seguinte um italiano quebraria um braço e uma perna no mesmo local.

Eu, descendo as dunas em uma ripa de madeira. Nesse momento eu percebi que era necessário frear...

As dunas de Jeri.

Enfim. Vale a pena conhecer Jeri? Vale, e muito. Mas imagino que na alta temporada não seja agradável. Aconselho a baixa temporada. Tem centenas de pousadas e hotéis. Não precisa nem reservar.

Um lugar maravilhoso, cujos problemas são consequência inevitável de sua beleza estonteante.

Written by newtonulhoa

23 de abril de 2010 at 14:33

Publicado em Ecologia

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