Ecosapiência

Reflexões contemporâneas

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Engenharia subterrânea

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Sempre tive um grande interesse pela engenharia subterrânea. Construir túneis sob as cidades e seus prédios, parques, viadutos… Como será que nada disso vem abaixo depois de coisas assim? Me encanta imaginar a existência de uma engenharia subterrânea que conseguisse construir túneis sob nossas almas, ou qualquer projeto que o valha, sem que milhões de sentimentos pudessem vir abaixo.

Se dominássemos essa ciência, poderíamos construir estações em cada um dos quatro cantos da alma, conectando as incertezas e facilitando o deslocamento e o encontro de funcionários sutis e reservados, gentis e degenerados, loucos e engraçados. Construiríamos então praças bem embaixo das nossas almas e as árvores nascidas ali produziriam frutos alucinógenos que nos lembrariam uma realidade qualquer, dessas que se vê na rua. Sobraria algum tempo para o trabalho de arqueólogos subterrâneos, que aproveitariam essa imensa rede de túneis e praças submersas para buscar por antigas relíquias. Antigos adereços coloridos que poderiam ser chamados de sonhos ou qualquer outra coisa. Seria então aberto um museu subterrâneo, onde os novos eus pudessem questionar o passado e seu tempo já passado. Naquele momento, tudo estaria correndo normalmente por entre os túneis, praças e museus subterrâneos. Nenhuma imperfeição viria abaixo. Seríamos os mesmos, com mil buracos abaixo.

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Written by newtonulhoa

11 de abril de 2012 at 01:52

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Autoretrato IX

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Então você se perde
Nas tragédias anunciadas
Nas desculpas idiotas

Nas mentiras do noticiário
Se comove, mas nunca chora
Acorda e simplesmente ignora

O sol que esquenta lá fora
O mar que se molha por dentro
Então você se perde.

Nas coisas pequenas da vida
Nas entrelinhas das esquinas.

Written by newtonulhoa

28 de janeiro de 2011 at 15:56

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A vocês (Maiakóvsky)

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Vocês que vão de orgia em orgia,
vocês Que têm mornos bidês e W.C.s,
Não se envergonham ao ler os noticiários
Sobre a cruz de São Jorge nos diários?

Sabem vocês, inúteis, diletantes
Que só pensam encher a pança e o cofre,
Que talvez uma bomba neste instante
Arranca as pernas ao tenente Pietrov?…

E se ele, conduzido ao matadouro,
Pudesse vislumbrar, banhado em sangue,
Como vocês, lábios untados de gordura,
Lúbricos trauteiam Sievieriânin!

Vocês, gozadores de fêmeas e de pratos,
Dar a vida por suas bacanais?
Mil vezes antes no bar às putas
Ficar servindo suco de ananás.

1915 (tradução de Augusto de Campos)

Written by newtonulhoa

6 de outubro de 2010 at 18:03

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Polaroid

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Minas são os Ipês!

Amarelos, brancos, rosas e roxos (que estão em flores!)

São meus medos fritos na manteiga. Meus amores fervidos em luxúria.

São toneladas de minério em minhas costas.

Written by newtonulhoa

1 de julho de 2010 at 23:20

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Auto-Retrato III

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Cresci ouvindo falar no futuro
ouvi meus primeiros discos esperando por isso
– discos que eu não escolhi.

conheci as ruas vivendo cem anos à frente
– me deixei enganar por todos eles.

me embriaguei sob muitos céus,
imaginando que desembarcaria em uma terra de sonhos
– acordei sempre em mim mesmo.

chorei sempre contra o tempo
– e hoje ele está contra mim.

a vida, se é que posso chamá-la assim
é o caminho do presente
e o futuro nem mesmo existe.

é o passo bem feito, desviático
é o tropeço sem jeito – errático.

Written by newtonulhoa

19 de junho de 2010 at 02:04

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Bernard Buffet

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Bernard Buffet foi um pintor expressionista francês. Suas gravuras e pinturas são surpreendentes. Têm uma expressão fantástica e um quê de existêncialista. Vale a pena ver algumas:

Written by newtonulhoa

28 de abril de 2010 at 16:30

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Auto-retrato II

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Devido às exatas circunstâncias
Sou cidadão indeciso
Discreto e liberal

A
nt
ifu
n
ci
o
n
al

À beira do caos
Decididamente fincado
Nesta pirâmide social
Segurando um saco
De perversão nas costas.

Written by newtonulhoa

27 de abril de 2010 at 23:35

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