Ecosapiência

Reflexões contemporâneas

A vocês (Maiakóvsky)

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Vocês que vão de orgia em orgia,
vocês Que têm mornos bidês e W.C.s,
Não se envergonham ao ler os noticiários
Sobre a cruz de São Jorge nos diários?

Sabem vocês, inúteis, diletantes
Que só pensam encher a pança e o cofre,
Que talvez uma bomba neste instante
Arranca as pernas ao tenente Pietrov?…

E se ele, conduzido ao matadouro,
Pudesse vislumbrar, banhado em sangue,
Como vocês, lábios untados de gordura,
Lúbricos trauteiam Sievieriânin!

Vocês, gozadores de fêmeas e de pratos,
Dar a vida por suas bacanais?
Mil vezes antes no bar às putas
Ficar servindo suco de ananás.

1915 (tradução de Augusto de Campos)

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Written by newtonulhoa

6 de outubro de 2010 at 18:03

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Deu na Nature News

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Screenshot do site da Nature News (clique na imagem para ir para lá)

A Nature, uma das mais conceituadas revistas científicas do mundo, publicou ontem, através do seu hotsite de notícias – Nature News, um artigo que não poupa elogios aos 8 anos de governo Lula. Segundo a reportagem, nunca a ciência recebeu tantos incentivos no Brasil quanto nos últimos anos. Um paradoxo, pois durante os anos FHC, que é um acadêmico respeitado, as universidades públicas minguaram e as bolsas de doutorado e mestrado praticamente não receberam correções. E foi durante o governo de um “semi-analfabeto”, como dizem alguns, que a coisa mudou. Caetano Veloso, com suas músicas que eu amo (e gosto mesmo das músicas dele, mesmo achando ele um porre de chato), nunca faria isso pela ciência. Afinal ciência pra ele é alquimia.

A porcentagem do PIB aplicado à ciência teve um crescimento exponencial a partir de 2003, como vocês podem ver no gráfico abaixo.

Porcentagem do PIB aplicado à Ciência entre 2003 e 2008

As pessoas me perguntam: “Porque você gosta do Lula?”. Não estou cego aos vários casos de corrupção que existem por ai. Mas puxar o tapete do PT agora seria uma covardia. São muitos os bons exemplos desse governo e se colocarmos a administração tucana e a petista numa balança, eu que sou um jovem cientista, fico com o PT. Minhas lágrimas naquela tarde chuvosa de Brasília no primeiro dia de 2003 não foram em vão.

Written by newtonulhoa

30 de setembro de 2010 at 23:12

Publicado em Ecologia

Hot-dogs & Circo: quando as folhas caem

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Os últimos 3 dias foram dias lindos. Inacreditavelmente quentes, chegando a 25 graus! E o mais estranho: em apenas 4 ou 5 dias a maioria das árvores que estavam verdes se transformaram em árvores amarelas e vermelhas. E hoje, com a chuva, a maioria das folhas foram ao chão. É o prenúncio do frio.

Folhas e mais folhas por toda a cidade. Dizem que depois que todas caem, a cidade é tomada por um mal cheiro resultante da decomposição das folhas. Imaginem que todas as folhas, de todas as árvores da cidade, caem.

É o clássico outono. Preciso tirar fotos das árvores amarelas e vermelhas para colocar aqui. O river valley fica maravilhoso com todos esses tons de vermelho e amarelo.

Bom, aproveitando o bom tempo do final de semana e o fato do Geraldinho e o Mário (pesquisadores brasileiros, o primeiro meu orientador no Brasil, o segundo professor na Unimontes) estarem aqui em Edmonton, fomos a um jogo de Hockey com o Cassidy e o Paul (ambos estiveram no Brasil através do Tropi-Dry).

É um jogo violento. As brigas que acontecem dentro do campo são verdadeiros combates, com socos, chutes, golpes de karatê e sangue. Sangue no gelo branco. E as pessoas deliram com as pelejas. O jogo pára o tempo inteiro. Comerciais, música, belas moças com grandes rodos entram para limpar o gelo, patinando. Pequenos veículos entram jogando água e fortalecendo o gelo. Entram novamente os combatentes, com armaduras, tacos e patins afiados como faca. Muitos jogadores perdem dedos e ganham cicatrizes por conta deles.

Luzes!

São quatro tempos de 20 minutos. Mas como o jogo para o tempo todo, dura mais de duas horas. A cada intervalo centenas de pessoas se dirigiam aos corredores para comprar comida, muita comida. São 4 ou 5 andares com muitas lanchonetes e tendas que vendem apenas cerveja. Cerveja aliás, cara. Oito dólares um copão de 500ml de Canadian quente. Um cachorro quente tradicional (pão e salsicha apenas) mais 4 dólares. Bom, pelo menos vende cerveja. Quem me dera se pudéssemos beber uma cervejinha (gelada a 2 reais) e comer um tropeirão no Mineirão (bom, esse pode, mas sem a cerveja).

Briga!

Esses dois brigaram por uns 2 minutos e o público delirou!

O time de Edmonton, os “Oilers” (referência ao petróleo da região: dizem que essa região tem mais petróleo que a Arábia Saudita!) ganhou de 8 a 2 do time de Vancouver (Vancouver Canucks). Um placar inacreditável para todos, que achavam que os Oilers iriam perder, pois no último campeonato terminaram em último. O Paul fez uma ótima comparação – os Oilers são como o Galo, com uma grande torcida e uma história gloriosa, mas com poucos resultados hoje em dia.

Antes de ir embora ganhei uma touca dos Oilers. Uma boa touquinha que poderei usar no inverno 😛

Abraços!

Written by newtonulhoa

28 de setembro de 2010 at 17:57

Publicado em Canada

O Bisão

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Edmonton não é uma cidade com belas paisagens naturais, como montanhas ou mar. Mas tem seus encantos. Neste sábado acordei um pouco desanimado, morrendo de saudades da Cacá e o melhor que eu poderia fazer é bater perna por ai. Decidi procurar pela famosa carne de alce ou de bisão. Aqui no hostel me disseram que eu poderia encontrar essas carnes no mercado dos fazendeiros, o “Old Strathcona Farmers’ Market”. Fui até lá e me surpreendi.

The Old Strathcona Farmers' Market

Música, hippies, comida, artesanato. Não é muito grande, mas é interessante. Cheio de cheiros gostosos, diferentes. Verduras lindas, orgânicas. Comida ucraniana, chinesa, canadense. Cereais, doces, muffins. Carne de porco, boi, frango, alce e bisão! Como não tenho freezer no hostel, optei por comprar apenas um bom bife de bisão desta vez, deixando o alce pra semana que vem. Sim, eu iria comer carne de bisão. Para acompanhar, cenouras orgânicas e rúcula também orgânica.

O bife que comprei era um “striploin steak”, que para nós é o que seria, mais ou menos, o filé de costela e/ou a capa de filé.

Bison striploin steak

Almoço de sábado no hostel

Frigideira, azeite e sal. O sabor é bem forte, me lembrando um pouco do filé de alpaca que eu e a Cacá comemos em Lima a dois anos atrás. Uma delícia! Na próxima semana, filé de alce. Beijos pra vocês!

Algo como um chouriço de bisão

Written by newtonulhoa

25 de setembro de 2010 at 20:41

Publicado em Ecologia

Sufoco

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Sim, sufoco! Foi o que eu passei ontem aqui em Edmonton.

No fim da tarde estive na casa de um amigo. Ele divide a casa, um basement, com um amigo. Este amigo tem um cachorro “pug”. Esse cachorro fugiu vizinhança afora. Tivemos que ir atrás dele. O problema é que esse cachorro encontrou uma rodovia. Essa rodovia tem um trânsito intenso. E o safado do pug desandou a correr no meio dos carros em alta velocidade.

Tenso. Foi um momento tenso. E não é que eu, brasileiro, a menos de duas semanas no Canadá, saí correndo estrada a fora, a parar os carros? Com os braços em riste, gritando “nooo”, “nooo”! Muitos carros quase colidiram uns com os outros, muitos derraparam, eu quase fui atropelado.

Mas salvei o cão. Na verdade uma cadela chamada Mi Mi.

Depois de tudo, quando o bichinho entrou em casa e fechamos a porta, eu não podia acreditar no que tinha acontecido! Hoje eu sonhei com a Mi Mi correndo por toda Edmonton. Tenso.

Written by newtonulhoa

19 de setembro de 2010 at 02:26

Publicado em Ecologia

Chegada em Edmonton

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Olá pessoal!

Passados os primeiros 5 dias aqui em Edmonton, decidi que era hora de escrever. Afinal prometi a vocês que iria escrever contando minhas primeiras impressões do Canadá.

Depois da despedida em confins, dos abraços apertados e beijos gostosos (saudades, Cacá!), entrei no avião para São Paulo. Vôo tranquilo, rápido. Às 20:15 eu já estava embarcando para Toronto. Bem, o vôo teria sido maravilhoso (não houve uma só turbulência), caso eu não tivesse sentado onde sentei. Fiquei com o assento da saída de emergência – cuja cadeira não se abaixava – ao lado do banheiro e da “cozinha”. Foi uma viagem de 12 horas bastante desconfortável. Juntando a minha ansiedade e tudo isso não preciso dizer que não consegui dormir um só minuto. Tudo bem, eu estava curioso com tudo que estava por vir. Ao meu lado sentou um brasileiro, um garoto de vinte e poucos anos, paulistano, que estava indo para Vancouver estudar efeitos especiais.

No desembarque o que me afligia era a imigração. Será que eles iriam ser educados, grosseiros? Não havia com o que me preocupar – eles foram muito educados comigo. Mostrei todos os documentos que eu tinha levado, carta da Universidade de Alberta, do meu orientador, do albergue, etc… e pronto, me deram a permissão para ficar no país.

Me despedi do garoto (me esqueci do nome dele!) e fui tomar meu primeiro café canadense. O aeroporto de Toronto é bem grande. Me chamou a atenção os cheiros. Um cheiro que lembro de ter definido como perfume de bacon. Era isso. Todo o pátio das lanchonetes tinha um perfume assim. E minha primeira refeição não foi nada de excêntrico. Se eu estivesse em Hong Kong ou em Nova Deli eu teria comido algo extravagante. Mas em Toronto me contentei com um wrap de presunto e um suco de maçã.

Vôo 123 rumo a Edmonton. Lá fui eu em mais um vôo. Esse foi bem mais interessante, pois já estava de dia (SP-Toronto foi às escuras) e pude ver as pradarias lá do alto. Muitas lagoas e muitas, mas muitas fazendas. E todas milimetricamente cortadas em quadradinhos. Parece que não existem latifúndios por aqui. E de fato, acho que o Canadá não é um país que exporta muitos alimentos, commodities como soja, milho, trigo, etc… As grandes cidades são rodeadas por bolsões de fazendinhas quadradinhas e coloridas.

A chegada em Edmonton foi tranquila, o aeroporto é pequeno e bem organizado. Fui para o desembarque pegar minha mala e ali fiquei por muitos minutos até me dar conta de que a pequena não tinha vindo comigo. Eu teria de usar pela primeira vez meus dotes linguísticos para uma tarefa que me pareceu mais difícil do que era. Dei o número do ticket para um rapaz da Air Canada e ele me disse que a mala chegaria de Toronto no próximo vôo. Levei para o Hostel um kit de banho da Air Canada e aguardei até umas 15:30 pela minha mala. Ela chegou bem, com alguns arranhões, mas chegou bem.

O Hostel é simples, mas organizado. Por aqui passa gente de várias partes do mundo. Mas, pelo que eu pude ver, principalmente orientais que acabaram de chegar para estudar na U of A, como eu, e estão em busca de um lugar melhor pra ficar. Depois disso são os próprios canadenses, que vêm da parte francesa buscar emprego por aqui e ficam uns dias no albergue. E alguns aventureiros, como um cara que veio de Quèbec de bicicleta! mais de 3000 km de bicicleta!

Esses primeiros dias fiquei mais recluso aqui no Hostel pois vim com uma gripe estranha de BH que piorou com todas essas mudanças. Então decidi que precisava de repouso – fiquei com medo de piorar aqui nesse frio e ter de ir em um médico, etc. Na quarta feira fui na Universidade. Uma grande universidade. Bonita, limpa, cheia de gente do mundo todo. Muitos, mas muitos orientais e indianos. Dos países BRIC’S, apenas Brasil e Rússia não têm estudantes tão internacionalizados.

Fui muito bem recebido pelo meu orientador, Dr. Sanchez. Sua assistente, Mei Mei, foi super atenciosa e me passou todos os detalhes do lab. Tirei meu “one card” (carteira da universidade) e meu “u-pass” (passe livre para ônibus e metrô). Aliás, esse tal de u-pass é uma maravilha. Ando a cidade toda com ele! Preciso agradecer muito ao Dr. Sanchez por ter patrocinado isso para mim.

Ontem fiquei aqui no Hostel vendo filmes. Aliás, já vi e revi alguns bons filmes aqui no meu quartinho. Foram eles:

– Zorba, o Grego,
– Os pássaros,
– Janela indiscreta,
– O mundo imaginário de Dr. Parnassus.

E hoje resolvi fazer um passeio pela cidade. Downtown e River Valley. O centro é bem interessante. Mas como hoje é domingo, estava vazio. Mas como acho que um centro se faz com gente, muita gente, voltarei em um dia da semana para ver o espaço em uso. Organização. É isso que mais me chama a atenção aqui. E o Parque linear no rio Saskatchewan é maravilhoso. Na verdade é cheio de diversos pequenos parques, com nomes diversos, com bairros que fazem divisa com estas áreas. Muito bonito. Uma bela qualidade de vida. Se não fosse pelo inverno, diria que é um lugar fantástico pra se viver :).

Bom, vejam umas fotos a seguir. Vou escrevendo aqui minhas descobertas, angústias, medos e alegrias no Canadá. Sejam bem vindos ao meu diário virtual! Beijos e beijos em todas as pessoas queridas no Brasil. Logo estou de volta, cheio de histórias pra contar!

Meu toalete

O jardim do albergue

Chevrolet

O sensacional prédio do Edmonton Art Gallery

A prefeitura

Novamente, museu de arte de Edmonton

Ghandi

Prédio em estilo francês no centro.

Jasper Avenue

Cartazes

Rio Saskatchewan

Escultura do bisão

Sim, aqui as formigas também comem pulgões

River Valley park

River Valley park

River Valley park

Urso

Rio Saskatchewan

Minha vizinhança: Old strathcona. Cacá, você vai adorar esse lugar!

Written by newtonulhoa

12 de setembro de 2010 at 22:20

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Por falar em Calêndulas

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Por pensar que tenho um blog, decidi que deveria postar alguma coisa. Afinal, o blog recebera pouquíssimas atualizações nos últimos meses.

Mas é fato que nada tenho a dizer no momento. Acompanha-me chá de calêndula. Um chá de gosto forte e exótico. Um tanto amargo, mas com classe. Não transforma a sua boca em um recipiente transbordante de amargos, centenas de gostos amargos como faz um chá de carqueja bem forte. A calêndula vem quase como seu próprio nome, rastejando em sua língua. Sim, é um bom chá e ainda deixa um azedinho na boca no final.

Written by newtonulhoa

28 de julho de 2010 at 15:10

Publicado em Ecologia