Ecosapiência

Reflexões contemporâneas

Posts Tagged ‘Edmonton

A chegada dos Europeus – parte I, entre espíritos e Ecologia

with 2 comments

O que é Edmonton?

A milênios atrás a região do rio Saskatchewan do Norte já era habitada por povos indígenas que cruzavam o vale do rio para caçar e pescar. Na região de Edmonton o povo mais influente eram os “Blackfoot” ou Pés Negros. Os Blackfoot se reúnem em torno de uma confederação chamada “Niitsítapi”, que significa “o povo original”. Suas terras iam desde o rio Saskatchewan do Norte até o vale do rio Yellowstone, nos Estados Unidos. Eram guerreiros. Fortes. Muitas reservas indígenas podem ser encontradas em Alberta e Montana. Os Blackfoots ainda realizam as misteriosas e maravilhosas cerimônias nativas americanas, cercadas de espíritos, plantas e esperanças.

"Bear Bull"

Mais ao norte, se aproximando do círculo polar ártico e dos ursos polares, encontramos os Inuit. São os povos esquimós. Bonitos, introspectos, reféns da natureza gélida.

Jovem Inuit

Entretanto um dia qualquer chegaram os Europeus. Com seu deus domesticado, suas cruzes, suas roupas estranhas, suas comidas horríveis (com todo o respeito, a culinária inglesa é vergonhosa), sua moral e sua ganância. Primeiro trocaram alguns bens, fizeram comércio com os nativos.

Encontro entre colonos e nativos no lago Athabasca, Alberta, 1893. Fonte: Canada Archives

Comerciante de peles de Alberta, ~1890. Fonte: Wikipedia

O comércio de peles foi um negócio importante para os colonos de Alberta. Por incrível que pareça foi importante para a ciência da Ecologia. Uma das mais antigas corporações do planeta em atividade, a “Hudson Bay Company”, fundada em 1670, era quem dominava o comércio de peles na América do Norte. Em 1937, um pesquisador chamado Duncan Alexander Mac Lulich, publicou um artigo científico intitulado “Fluctuations in the numbers of varying hare (Lepus americanus)”, um estudo sobre a flutuação no número de indivíduos nas populações de lebre no Canada. Ele utilizou dados de caça de peles de lebre da Hudson Bay Company. Este trabalho ajudou a consolidar a famosa equação de Lotka e Volterra, ou predador-presa, indispensável no estudo de Ecologia.

Anúncios

Written by newtonulhoa

28 de janeiro de 2011 at 02:17

Chegada em Edmonton

with 10 comments

Olá pessoal!

Passados os primeiros 5 dias aqui em Edmonton, decidi que era hora de escrever. Afinal prometi a vocês que iria escrever contando minhas primeiras impressões do Canadá.

Depois da despedida em confins, dos abraços apertados e beijos gostosos (saudades, Cacá!), entrei no avião para São Paulo. Vôo tranquilo, rápido. Às 20:15 eu já estava embarcando para Toronto. Bem, o vôo teria sido maravilhoso (não houve uma só turbulência), caso eu não tivesse sentado onde sentei. Fiquei com o assento da saída de emergência – cuja cadeira não se abaixava – ao lado do banheiro e da “cozinha”. Foi uma viagem de 12 horas bastante desconfortável. Juntando a minha ansiedade e tudo isso não preciso dizer que não consegui dormir um só minuto. Tudo bem, eu estava curioso com tudo que estava por vir. Ao meu lado sentou um brasileiro, um garoto de vinte e poucos anos, paulistano, que estava indo para Vancouver estudar efeitos especiais.

No desembarque o que me afligia era a imigração. Será que eles iriam ser educados, grosseiros? Não havia com o que me preocupar – eles foram muito educados comigo. Mostrei todos os documentos que eu tinha levado, carta da Universidade de Alberta, do meu orientador, do albergue, etc… e pronto, me deram a permissão para ficar no país.

Me despedi do garoto (me esqueci do nome dele!) e fui tomar meu primeiro café canadense. O aeroporto de Toronto é bem grande. Me chamou a atenção os cheiros. Um cheiro que lembro de ter definido como perfume de bacon. Era isso. Todo o pátio das lanchonetes tinha um perfume assim. E minha primeira refeição não foi nada de excêntrico. Se eu estivesse em Hong Kong ou em Nova Deli eu teria comido algo extravagante. Mas em Toronto me contentei com um wrap de presunto e um suco de maçã.

Vôo 123 rumo a Edmonton. Lá fui eu em mais um vôo. Esse foi bem mais interessante, pois já estava de dia (SP-Toronto foi às escuras) e pude ver as pradarias lá do alto. Muitas lagoas e muitas, mas muitas fazendas. E todas milimetricamente cortadas em quadradinhos. Parece que não existem latifúndios por aqui. E de fato, acho que o Canadá não é um país que exporta muitos alimentos, commodities como soja, milho, trigo, etc… As grandes cidades são rodeadas por bolsões de fazendinhas quadradinhas e coloridas.

A chegada em Edmonton foi tranquila, o aeroporto é pequeno e bem organizado. Fui para o desembarque pegar minha mala e ali fiquei por muitos minutos até me dar conta de que a pequena não tinha vindo comigo. Eu teria de usar pela primeira vez meus dotes linguísticos para uma tarefa que me pareceu mais difícil do que era. Dei o número do ticket para um rapaz da Air Canada e ele me disse que a mala chegaria de Toronto no próximo vôo. Levei para o Hostel um kit de banho da Air Canada e aguardei até umas 15:30 pela minha mala. Ela chegou bem, com alguns arranhões, mas chegou bem.

O Hostel é simples, mas organizado. Por aqui passa gente de várias partes do mundo. Mas, pelo que eu pude ver, principalmente orientais que acabaram de chegar para estudar na U of A, como eu, e estão em busca de um lugar melhor pra ficar. Depois disso são os próprios canadenses, que vêm da parte francesa buscar emprego por aqui e ficam uns dias no albergue. E alguns aventureiros, como um cara que veio de Quèbec de bicicleta! mais de 3000 km de bicicleta!

Esses primeiros dias fiquei mais recluso aqui no Hostel pois vim com uma gripe estranha de BH que piorou com todas essas mudanças. Então decidi que precisava de repouso – fiquei com medo de piorar aqui nesse frio e ter de ir em um médico, etc. Na quarta feira fui na Universidade. Uma grande universidade. Bonita, limpa, cheia de gente do mundo todo. Muitos, mas muitos orientais e indianos. Dos países BRIC’S, apenas Brasil e Rússia não têm estudantes tão internacionalizados.

Fui muito bem recebido pelo meu orientador, Dr. Sanchez. Sua assistente, Mei Mei, foi super atenciosa e me passou todos os detalhes do lab. Tirei meu “one card” (carteira da universidade) e meu “u-pass” (passe livre para ônibus e metrô). Aliás, esse tal de u-pass é uma maravilha. Ando a cidade toda com ele! Preciso agradecer muito ao Dr. Sanchez por ter patrocinado isso para mim.

Ontem fiquei aqui no Hostel vendo filmes. Aliás, já vi e revi alguns bons filmes aqui no meu quartinho. Foram eles:

– Zorba, o Grego,
– Os pássaros,
– Janela indiscreta,
– O mundo imaginário de Dr. Parnassus.

E hoje resolvi fazer um passeio pela cidade. Downtown e River Valley. O centro é bem interessante. Mas como hoje é domingo, estava vazio. Mas como acho que um centro se faz com gente, muita gente, voltarei em um dia da semana para ver o espaço em uso. Organização. É isso que mais me chama a atenção aqui. E o Parque linear no rio Saskatchewan é maravilhoso. Na verdade é cheio de diversos pequenos parques, com nomes diversos, com bairros que fazem divisa com estas áreas. Muito bonito. Uma bela qualidade de vida. Se não fosse pelo inverno, diria que é um lugar fantástico pra se viver :).

Bom, vejam umas fotos a seguir. Vou escrevendo aqui minhas descobertas, angústias, medos e alegrias no Canadá. Sejam bem vindos ao meu diário virtual! Beijos e beijos em todas as pessoas queridas no Brasil. Logo estou de volta, cheio de histórias pra contar!

Meu toalete

O jardim do albergue

Chevrolet

O sensacional prédio do Edmonton Art Gallery

A prefeitura

Novamente, museu de arte de Edmonton

Ghandi

Prédio em estilo francês no centro.

Jasper Avenue

Cartazes

Rio Saskatchewan

Escultura do bisão

Sim, aqui as formigas também comem pulgões

River Valley park

River Valley park

River Valley park

Urso

Rio Saskatchewan

Minha vizinhança: Old strathcona. Cacá, você vai adorar esse lugar!

Written by newtonulhoa

12 de setembro de 2010 at 22:20

Publicado em Canada

Tagged with